quinta-feira, 12 de agosto de 2010

29 de julho

Acordamos quando ja era perto de 11 horas, que era quando deveriamos fazer o check-out. Acabamos negociando outra noite no mesmo hostel e fomos fazer o que turistas fazem melhor: turismo.
O plano era fazer o "free"-tour (fica muito mal se tu nao da uma gorjeta de no minimo 5 euros pro guia) das 14 horas, mas enquanto a gente dava uma explorada pela praca central pra matar o tempo livre o ceu simplesmente fechou e comecou a chover forte. Plano abortado, acabamos optando por ir a algum lugar fechado. A escolha foi o museu sobre o comunismo da Republica Tcheca.
O museu era incrivelmente tendencioso, "incriminava" de todas as formas possiveis o tempo de mais ou menos 40 anos de ocupacao sovietica do pais. O museu nao era muito bonito, e era atrolhado de quinquilharias comunistas sem-sentido, como bustos gigantes feitos de plastico do Karl Marx, do Stalin e do Lenin (serio, tinha muitos desses). A localizacao, no entanto, dispensa comentarios: ao lado de um CASSINO e em cima de um MC DONALD'S. Sim, capitalistas, voces venceram.
Saindo de la, voltamos pro hostel para um breve descanso. Saimos mais tarde na companhia de um americano com cara de psicopata chamado Alan pra jantar numa pizzaria (muito boa, por sinal). Depois da janta, fomos ate o castelo de Praga para apreciar uma belissima vista noturna e fazer um reconhecimento do territorio. Voltamos e, cansados como nunca, fomos direto dormir.

Republica Tcheca - Praga

28 de julho

A jornada comeca ai. Encontrei o Diego as 18:45, conforme o combinado, na estacao Hauptbahnhof, em frente ao monumento do "grosse Pferd", que foi o que eu inventei na hora pra descrever o lugar pra alema que me deu informacoes. Pegamos o trem as 19:30 e partimos.
A viagem foi tranquila se desconsiderarmos o estado do banheiro, que transbordava mijo porque a descarga nao funcionava. Acabamos fazendo uma "amizade pra vida inteira" por 5 horas (tempo de viagem) com um mormon alemao que viajava a Viena pra ser testemunha de um casamento.
Era entao meia-noite e meia quando chegamos em Praga. A estacao, que estava fechando naquele momento, estava vazia, praticamente e, pra ajudar, era tudo escuro em volta. Um lugar meio afastado que tinha o seu ultimo metro diario passando exatamente no momento em que tinhamos chegado. A melhor parte da surpresa, no entanto, foi o fato de que nos nao tinhamos nenhum dinheiro tcheco (coroa, o nome da moeda) e, como nao havia nada aberto, olhamos no mapa, eu calcei os tenis e fomos andando noite adentro que, apesar de ser verao, estava fria. Eram 2:45 quando chegamos ao tao almejado "Mosaic" hostel. Fomos direto pro quarto, onde os ocupantes ja dormiam profundamente (e faziam barulhos estranhos).

quarta-feira, 28 de julho de 2010

28 de julho

Neste exato momento reuno os ultimos itens necessarios para a viagem que ocorrera a seguir. Parto de trem (pela primeira vez na vida) rumo a Republica Tcheca. Praga, mais precisamente. Sai ate pra comprar um guia turistico marca Lonely Planet, que oferece basicamente todos os programas culturais disponiveis na cidade. Estarei fazendo anotacoes em papel ate o domingo -data que eu volto- sobre a viagem. Transcreverei-as para ca depois. Momento de confissao estupida: eu realmente nao sei que lingua se fala na Republica Tcheca, o que prova que eu nao tenho estudado pro vestibular. Descobrirei, no entanto, em algumas horas.
Hasta la vista.
27 de julho

O dia inicia com uma tarde nao tao ativa. Peguei meus livros, determinada a dar cabo ao pe' no meu saco inexistente O Filho Eterno (morte as leituras obrigatorias da ufrgs) e comecar Memorias Postumas de Bras Cubas (esquece o parenteses anterior), e me mandei para a praca aqui perto (Schulenburg Park?) para uma tarde agradavel de leitura ao sol. Tarefas de leitura concluidas, o sono tomava conta da minha pessoa. Fui dar uma pequena caminhada pelas redondezas e voltei pra casa.
Mais tarde, me aventurei no metro durante a noite para encontrar Tanit, a espanhola com ares arrogantes que acabou por se tornar uma pessoa legal no meu conceito, e ver o SENSACIONAL documentario When You're Strange, que conta a historia de uma das melhores bandas de todos os tempos, com enfoque gigantesco, e' claro, no falecido Jim Morrison, tambem conhecido como The Lizzard King, ou ainda Mr. Mojo Risin'. Feliz com a excelencia do filme, voltei pra casa. Dormi bem.

terça-feira, 27 de julho de 2010

26 de julho

Acordei, peguei o metro e fui ate Alexander Platz ver uma exposicao ao ar livre sobre a epoca da existencia da DDR em Berlim. A exposicao tava boa, os textos bem escritos, mas o que matou a gurizada foi o sol escaldante que tornava muito mais dificil conseguir se concentrar de fato pra ler os textos. Outro inconveniente foi o fato de que eu cai no "golpe da cigana", sobre o qual meu irmao ja tinha me alertado. Uma mulher aparentemente inocente, mas nao muito bem vestida se aproxima das pessoas perguntando se elas falam ingles. Quando a pessoa responde que sim, elas entregam um papel com um texto suplicando dinheiro com alguma desculpa esfarrapada qualquer. Que merda, mas tudo bem, acabei metendo a mao no bolso e dei uma moeda de 1 euro que tava no meu bolso. O problema e' que depois dela, mais 4 OUTRAS ciganas vieram tentar me aplicar o mesmo golpe. "Speak english?" e eu so balancava a cabeca negativamente. "Sprachst du deutsch?" e de novo eu tinha que balancar a cabeca enquanto continuava a olhar a exposicao que era apenas em ingles e alemao. HE.
Saindo de la, um cara me abordou no meio da rua falando sobre a minha camiseta Velvet Underground comprada no dia anterior. Ele me pediu pra falar alguma musica famosa, e eu falei varias, falei sobre o Lou Reed, e o cara nao sabia nada. Ele ainda largou um "do you know when you're passing by the street, and then you look at someone and then you get that feeling and want to meet that person 'cause she seems special?"
Hm, nao, nao sei. Obrigada.
25 de julho

Acordei, ja eram umas 11 e meia. Fomos ate Frankfurter Tor tomar um brunch e de la rumamos pra um lugar aqui que e' tipo a redencao de Berlim, onde todo domingo tem uma especie de feira, tipo um "flea market". Um monte de pessoas joviais reunidas em um parque gigante, alguns tocando instrumentos musicais que pareciam discos voadores gigantes, outros reunidos (uns mil, sem exagero) em volta de um karaoke de rua, onde os corajosos podem se apresentar de graca pra uma plateia participativa que canta junto e bate palmas. Os artigos entao, muito legais. Desde camisetas ate vinis e instrumentos de manicure (?), de tudo tem. Claro que eu nao pude deixar de sair de la sem nada, e acabei comprando um blusao e uma camiseta do Velvet Underground & Nico, com a famosa capa feita pelo consagrado Andy Warhol. Quando eu vejo esse tipo de coisa, tipo as pessoas interagindo, sendo felizes, um evento legal assim, eu realmente fico pensando em como Porto Alegre e' uma bosta e como as pessoas sao idiotas. E' uma pena que a gente nao tenha "maturidade" o suficiente pra poder fazer esse tipo de evento.

Saindo de la, especialmente porque as condicoes climaticas nao estavam ajudando muito, viemos pra casa e rsolvemos fazer uma caminhada pela "area verde" que tem aqui do lado da casa. Bem bonito, com direito a rio e tudo. 7 Km depois estavamos em casa, cansados. Fim de dia.

domingo, 25 de julho de 2010

24 de julho

Acordei cedo pra tentar pela 2374923856923a vez entrar no museu da Frida Kahlo. O tempo tava chuvoso e nada convidativo, acabamos desistindo e dormimos mais um pouco. Mais tarde, acabamos indo ate' o museu da STASI, que era a antiga policia secreta do lado oriental de Berlim. Legal, mas o espaco e a exposicao nao foram bem explorados. As explicacoes pros turistas, que vem num caderninho em ingles, foram feitas meio por cima, o popular "nas coxa", e ainda por cima e' confuso pra caramba. No mais, o museu apresenta umas coisas legais. Destaque pros acessorios de filme de espionagem barato, como livros, canetas, PEDRAS, e CASINHA DE PASSARINHO com camera dentro. Sensacional.
Saindo de la, fomos ate o Charlottenburg Schloss, um palacio barroco muito bonito, com um puta jardim lindo que e' aberto ao publico. Nao pude deixar de pensar como seria legal reunir um pessoal legal num final de semana pra ir la, fazer um pic-nic, essas coisas de filme que nao existem na vida real de quem mora no Brasil.
A noite, acabei embarcando sozinha numa aventura pra encontrar Tanit, minha colega de curso de alemao que tinha me convidado pra sair. Fora o fato de que eu fiquei perdida por tipo uma hora andando no meio de uma baita avenida escura, foi tudo legal. Acabamos saindo e entramos num clube chamado Der Visioneer porque nao tinhamos conseguido entrar no Arena, que era onde ela queria realmente ir. Destaque da noite: ela me pedindo pra ligar pro canadense nerd, o Gabriel, porque ta apaixonadinha por ele e queria encontrar ele sem parecer DESESPERADA. Esse mundo nao faz sentido.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

22 de julho

Dia comum, dia bom. Acordei, fiz o que quer que eu tenha feito ate chegar a hora de ir pra aula. Passeio de metro ate' Die Neue Schule. Aula. Saida da aula. Esperar o Diego pra entregar os livros de alemao pra aula dele. Acabei indo na aula do Diego. Professor substituto jovial, porem sem nenhuma didatica. Fim da aula. Janta no restaurante indiano. Prato estranho com vegetais estranhos...BOM, no entanto. Volta pra casa. Banho. Tema. Cansaco. Fim de dia.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

21 de julho

Museu dos Ramones (que na verdade e' um cafe com muitas fotos e pilhas de coisas usadas e feitas por eles), seguida de uma caminhada pelo mesmo local, o que o livro de turismo entitula "Jeewish Berlin". Nada muito interessante, no entanto.
Aula normal. Voltei pra casa.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

nada a declarar

19 de julho

Acordei as 7:30 com meus primos me dando tchau, me despedi deles, tomei meu cafe da manha, fiz algumas coisas, peguei minha trouxa e me mandei pra Brandenburger Tor, uma vez que o museu dos Ramones, que era o alvo pra hoje, particularmente, nao abre, vejam so' voces, nas segundas-feiras. Dei uma boa caminhada por la, fui ate' Potsdamer Platz checar a fila pra Frida Kahlo e acabei comprando um oculos com armacao branca meio escandalosa...como era 6 euros, creio que sai lucrando.
Fui pra aula, que hoje particularmente, demorou anos pra terminar. Descobri que tenho alguns colegas novos, e que outros sairam. Nao falei com ninguem. Caminhei pelos arredores da escola. Dia nao muito sociavel. Estou com sono. Lerei. Fim de historia.

domingo, 18 de julho de 2010

17 e 18 de julho

Dias marcados pela presenca dos primos. Na sexta-feira de tardezinha/de noite, acabamos indo ate' o muro. Atracao turistica da cidade, nao tinha como virem aqui e nao visitar. Demos uma volta por la', tomamos um sorvete, voltamos pra casa, afinal acordariamos cedo no sabado...
No sabado, fomos ate Karl-Marx-Allee novamente (onde eu experimentei a deliciosa Apfel Bier pela primeira vez na vida). Demos uma volta por la, mostramos a famosa arquitetura "neoclassica-comunista", e depois partimos ate' Alexander Platz, estacao que abriga a famosa Fernsehturm, torre gigante de TV que parece uma bola daquelas de discoteca dos anos 70 enfiada em um terco de um espeto gigante. Aquela construcao interessante, porem de gosto duvidavel foi encomendada pela DDR para que fosse posteriormente exibida como marca de poder do lado Leste sobre o lado Oeste. Ainda hoje, triunfa como a estrutura mais alta em toda a Alemanha, embora realmente nao pareca.
Voltas e fotos dadas e tiradas por la', rumamos a frente do grande Brandenburger Tor, onde comecariamos nosso passeio turistico que e' disponibilizado "gratuitamente" (se tu nao der gorjeta fica muito mal) pra ver as principais estruturas de Berlim, como o portao, obviamente, o Reichstag, o predio em que o Michael Jackson balacou seu filho (?), catedrais, Checkpoint Charlie, o ex-Bunker do Hitler, o Memorial aos Judeus... uma tour um tanto interessante. Me senti muito "especial" por ter feito a traducao simultanea durante as 4 horas de tour pros meus primos, que nao se viram muito no ingles. Quem sabe no futuro...hehe
Depois de la, fomos pra um bar onde encontramos a Ligia e a Ingrid, duas amigas dos meus primos que tavam viajando pela Europa tambem e que vieram passar uns dias em Berlim. Ficamos la' ate' relativamente tarde e voltamos pra casa mortos de cansados, nao esperando a verdadeira FIESTA que estava acontecendo aqui na casa, a base de muito rock pesado de uma qualidade altamente BAIXA, mas de um volume irritantemente alto. A melhor parte era acordar bem cedo no outro dia pra ir a exposicao da Frida Kahlo...

No domingo

Acontece que mesmo chegando ate antes de o museu abrir, a fila estava gigante. Esperamos uma hora pra depois ainda ouvir de uma funcionaria do museu que ainda teriamos que esperar umas 3 horas pra chegar ate' a porta, sem contar que la' dentro ja tava transbordando de gente. Tomamos a sabia decisao de sair de la, indo direto pra segunda atracao combinada do dia, o ex-campo de concentracao Sachsenhaus, a mais ou menos 50 minutos de Berlim, nos arredores do Oraninenburgo. Chegando na estacao com o mesmo nome, esperamos pela Ligia e a Lena, uma austriaca que trabalha com o meu irmao e que se juntou a nos.
E' realmente impressionante ver o que era aquele lugar. Se a pessoa e' minimamente humana, fica no minimo impressionada em testemunhar de verdade os lugares em que tanta gente padeceu...legalmente. Os triliches praticamente empilhados de tao proximos, do tamanho da cama de uma crianca, e em pessimas condicoes. Os banheiros comunitarios onde os guardas da SS simplesmente matavam as pessoas afogadas nos lugares onde se lavavam os pes, a enfermaria onde os nazistas realizavam experimentos absurdamente crueis junto com operacoes de castracao e estudos pra identificar as racas superiores, ate as camaras de cremacao que ficavam no subterraneo da enfermaria...e' tudo demais pra mim. Claro que valeu a pena conhecer, e se alguem me perguntar, eu realmente recomendo...mas e' bom que a pessoa esteja em plenas condicoes.
Saindo de la', fomos conhecer o Hostel onde a Ligia e a prima, que nao foi ao campo de concentracao porque ja havia ido, estavam ficando. O lugar era todo moderno e futurista, Generators, o nome, mas confesso que me fez pensar em como seria demais viajar com os amigos e parar em lugares assim. E' um plano.
Depois disso, fomos comer no restaurante asiatico mais suspeito do mundo, e voltamos pra casa. E ai veio o merecido descanso.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

cotidiano, o retorno

15 de julho

Outro dia comum, mas legal. Acordei, almocei o melhor sanduiche de paozinho com cereais magicos, tomate, oregano, azeite, e mussarella de buffala enquanto passeava de metro (sim, andar de metro ja' se tornou passeio pra mim) pra ir pra aula ouvindo Chico Buarque -nunca tinha parado pra ouvir musica brasileira de verdade, e, quem diria, nao e' ruim-. Tive aula das 14:30 ate as 17:45 como sempre, e depois fiquei pra ir na aula de alemao do meu irmao, que e' do mesmo nivel que eu. Aprendi a usar pronomes relativos em frases e me mandei pra casa.
Fiz a janta com os ingredientes comprados de manha no super. Um vegano ingles amigo do meu irmao jantou com a gente.

Hoje chega minha prima Sila com o namorado, Thiago, aqui em Berlim. Serao dias legais :)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

cotidiano

14 de julho

Dia bom, mas sem muitas emocoes. Acordei, nao fiz nada demais, fui pra aula, saindo de la' fui ate' uma estacao de metro encontrar meu irmao pra fazermos uma tour pelo bairro Kreuzberg, que, de acordo com o guia de Berlim, se chamava RADICAL KREUZBERG.
Obviamente andar por um bairro observando coisas nao tem nada de radical. Sem contar pelo primeiro predio invadido de Berlim que hoje em dia e' uma comunidade de artistas e as duas obras de artes feitas em predios por artistas, nao havia nada demais.
Voltei pra casa solita enquanto meu irmao foi jogar futebol.
E foi assim o dia de ontem.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

13 de julho

Me senti muito berlinense ontem. Acordei, dei uma arrumada na casa, fui ao super-mercado comprar umas provisoes. Depois de almocar, encarei o segundo dia de metro sozinha, dessa vez com mais confianca e segura de onde eu tava. Sensacional.
A aula foi tranquila, tirando a gafe que eu cometi. Sentei do lado de um colega oriental, assunto vai, assunto vem, eu acabei perguntando da onde ele era:
"I'm from Denmark"
"Esse oriental ta' querendo me enganar", pensei.
"But were you born in Denmark?", resolvi perguntar.
"No, actually I was born in South Korea...i'm adopted..."
"Oh, ok..."
(Silencio).

Excelente!

Voltei pra casa fazendo um trajeto mais demorado: passei por um parque que tem aqui perto da casa. Muito bonito, por sinal, tem um lago artificial com patos, muitas arvores, uma fonte bonita, parquinho pras criancas...e' realmente uma pena que no Brasil nao exista lugares como esse do lado de casa. E, ainda por cima, seguro.

Depois da janta, lutei contra o sono e fui ate' Karl-Marx-Allee, que pertencia a antiga Berlim oriental, pra observar as construcoes socialistas baseadas no periodo neoclassico. Os predios sao realmente bonitos, ao contrario da ideia que se tem de que as coisas comunistas em geral nao podem ser belas. Destaque para os dois predios principais, Haus des Kindes e o otro que no momento nao me recordo o nome.
Depois de tomar um sorvete de maracuja sensacionalmente gostoso, voltei pra casa e enfim, rendi-me ao tao combatido sono.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

sobrevivi

12 de julho

E quem diria que eu ia conseguir pegar o metro, ir ate' a destinacao sem me perder uma unica vez, voltar pelo mesmo caminho sem falhas? Han? Quem diria?
Pois entao, metro dominado, era hora de encarar a escola. Comprei um bloquinho pra anotar coisas que fossem possivelmente uteis...e fui.

11 Colegas. Confesso que so vi bem mesmo a cara de um, que e' o nerdzao de Quebec que sentou do meu lado, e dai eu tive que fazer trabalhos de dupla com ele. Pra variar, 3 ou 4 asiaticos ( umas tres gurias e um guri estranhamente forte) que praticamente so' conversavam entre eles, um cara metido a bonitao, uma espanhola meio arrogante, um frances com sotaque MUITO forte, e por ai vai (sim, eu sou SUPER sociavel)...

A aula ate' fluiu bem. Pra quem nao praticava nada de alemao desde da 8a serie, eu posso dizer que me sai bem, entendi boa parte das coisas gracas a professora, famosa Teresa (pronuncia-se TERRESSA), que tornou isso possivel com suas mimicas e performances teatrais.

Voltei pra casa (sim, consegui mesmo!), eu e o Diego jantamos e fomos dar uma volta pelos 1.3 km do Muro de Berlim ainda restantes. O muro e' todo pintado (umas coisas legais, outras bem MEIA-BOCA), em geral com desenhos que promovem a paz e frases de efeito. Destaque para a pintura "O CACHORRO AMARELO", que era um cachorro...amarelo...com o dizer "cachorro amarelo" em cima.

Dada a caminhada (ida e volta, ou seja, 2.6 km), voltamos pra casa. E assim foi o 12 de julho.

Turismo intenso

11 de julho

Dia de turismo intenso. Fomos de onibus ate' Hauptbahnhof, que e' uma estacao central moderna e futuristica construida sobre a antiga. Fotos tiradas, rumamos para frente do predio governamental onde a senhora Angela Merkel (a tia da foto abaixo), trabalha.
http://www.adgoog.com/blog/photo/8777a-l_ue_reprend_sa_quete_d_un_compromis_sur_un_nouveau_traite.jpg

Chamou atencao: gurias de biquini na frente do predio do governo tomando banho de sol. Aqui ha' uma verdadeira ficcacao por praias. Impressionante.
Saindo dali, fomos ate' o famoso Reichstag, que e' tipo a "casa branca" daqui, de acordo com o Guia de Berlim. O legal da construcao, alem de ser realmente bonita e imponente, e' a parte de cima, onde tem algo que parece uma metade de uma esfera de vidro onde as pessoas podem subir. Metaforicamente, isso representa a transparencia do governo, e alem disso, um lembrete aos politicos de que quem esta' "no topo" e detem o poder e' o povo. Legal. Apesar do calor escaldante, encaramos a fila pra subir la' em cima. A vista, apesar do calor, e' realmente bonita, mas eu suponho que no inverno seja BEM MAIS AGRADAVEL. Da' pra ver muitas construcoes importantes do alto da cupula, e eles ainda fornecem de graca pro pessoal uma especie de radinho que tu bota na orelha e vai ouvindo explicacoes sobre o que e' cada predio enquanto vai subindo uma rampa em forma helicoidal ate' o topo. Uma coisa interessante, e' que um pouco antes de o Hitler assumir o governo, o Reichstag foi incendiado, e, portanto, ele nunca chegou a pisar la'.

Feito isso, tomamos nosso rumo em direcao ao Brandenburger Tor (portao de Brandenburgo), que e' um dos unicos porticos de entrada antigos remanescentes da cidade de Berlim. Uma bela construcao. Logo atras do portao, (momento revista de fofoca) fica o hotel em que ha' uns bons anos atras, Michael Jackson, o famoso muda-cor, pendurou e balacou seu filho inconsequentemente pela janela enquanto acenava para a imprensa.

Seguindo a jornada, fomos para um memorial em homenagem aos judeus assassinados durante o fascismo. E' basicamente um monte de blocos de concreto grandes que formam um labirinto. Propositalmente, o lugar e' bem cinza e deprimente. No subterraneo desse monumento, existe uma especie de museu onde tu pode entrar e saber mais sobre a historia do holocausto, junto com fotos e historias de varias familias que foram assassinadas em campos de concentracao, fragmentos de diarios, textos e gravacoes que ajudam a contar a historia toda. O lugar e' todo escuro e frio, e se a pessoa tem um minimo de sentimento, certamente sai de la' pelo menos um pouco sensibilizada, como foi o meu caso.
Coincidentemente -ou nao-, logo na quadra da esquina fica o Bunker em que o Hitler se suicidou, que atualmente e' um simples estacionamento com uma placa lembrando que um dia ali existiu tal construcao. De acordo com o Diego, nada foi feito sobre o Bunker propositalmente, evitando que aquilo se torna-se um templo nazista.

Logo depois, fomos ate' a avenida que fica na frente do Brandenburger Tor, onde a FIFA tinha organizado um complexo com teloes e outras atracoes pra assistir os jogos da copa. No fim, como o mundo ja' sabe, a Espanha se consagrou campea pela primeira vez na sua historia.

Hoje pela primeira vez eu pego o metro sozinha (AIDEUS) e comeco meu curso de alemao (AIDEUS!). Frio na barriga, expectativas altas.
Wish me luck!

domingo, 11 de julho de 2010

Dali + Fussball

10 de julho

Dia bom, apesar do calor insuportavel. Nada como andar meia quadra e ja' estar suando loucamente. O dia comecou na loja de departamentos Saturn, onde eu adquiri por menos de 100 Euros uma maquina digital bem HONESTA e um cartao de memoria onde cabem umas 600 fotos. Obvio que isso ja' e' muito mais do que eu preciso, considerando que eu tiro umas 20 fotos por ano. Logo depois, fomos a uma livraria de tres andares para adquirir um Guia Turistico separado por zonas da cidade de Berlim, ou seja, o kit TURISTA CHINES esta' agora completo.

Saindo de la', visitamos Salvador Dali - die Ausstelung, ou seja, exposicao do Salvador Dali. Serio, tu realmente fica querendo saber o que se passa dentro da cabeca de alguem assim. Como coisas completamente sem sentido podem ser tao legais ao mesmo tempo? Tu olha um quadro de uma pessoa em cima de uma Torre de longe, dai quando tu chega perto e' um cara CAGANDO a torre. Fascinante. Dentre as sequencias de quadros que ele fez, como as de livros (Alice No Pais Das Maravilhas, Tristao e Isolda, Le Tricorne, Dom Quixote) a sequencia que mais chamou atencao e' a Dix Recettes d'Immortalite', que e' a que tem o cara cagando a torre, inclusive (nossa, como eu sou boa apreciadora da arte!).

Chegamos em casa correndo, comemos rapidamente e ja' saimos de novo pra assistir o jogo Alemanha x Uruguai na disputa pelo 3o lugar da copa. Fomos num lugar a ceu aberto que tinha um telao e umas arquibancadas que foi patrocinado por uma organizacao de futebol daqui. Tava bem cheio, mas deu pra sentar e tudo. Bem legal.
O que realmente se destacou la, no entanto, foi um cara magro com uma camisa floreada, mochilinha transpassada com bandeira da Suica com cabelo e barba meio grisalhos e compridos que ficou tirando umas 729874928347 fotos de uma serie de bonequinhos colados num pedaco de pau que ele ficava segurando enquanto pegava a torcida alema ao fundo. O pessoal daqui e' realmente fascinante.

E por ontem foi so'.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Berlinteressant

9 de julho

Comecamos o dia fazendo um "reconhecimento da area". Fui com o Diego ate a escola em que a partir da semana que vem, segunda-feira mais precisamente, estarei fazendo um curso intensivo de alemao (Die Neue Schule, o nome da escola) durante as tardes, das 14:30 ate as 17:45. Como ele vai estar trabalhando das 9 da manha ate as 6 da tarde, isso significa que eu vou ter nao so' de pegar o famoso metro SOZINHA, como tambem praticar a confusa arte do turismo SOZINHA. Se meia quadra depois da saida de casa eu ja tinha esquecido o caminho que tinha que fazer, imaginem so' voces como sera' fazer o trajeto inteiro confiando apenas nas minhas proprias habilidades (que sao nulas) de guardar trajetos. Me perderei. Sensacional.
Saindo de la', fui conhecer o lugar onde meu irmao atualmente trabalha. World Football Street, o nome da ONG. O lugar e' bem legal, tinha ate mesa de pebolim (onde eu fui publicamente humilhada por um placar de 10 x 0, mas deixa quieto).

Pegamos o metro e acabamos indo numa exposicao gratuita sobre o fascismo alemao chamada Topography Of Terror. Chama atencao o fato de que bem na frente do museu tem um pedacao intacto do Muro de Berlim. A extensao daquela bosta causadora de tanto problema e' realmente impressionante...tu ta andando pelas ruas e tu ve por toda a cidade faixas interminaveis no chao onde ta escrito "Berliner Mauer", que obviamente marca que antigamente o muro ficava ali. MAS ENFIM, voltemos ao museu: uma coisa que realmente me impressiona aqui e' a variedade de programas culturais que tu pode fazer sem gastar tanto (ou ate' nada, como nesse caso). Passamos umas boas horas la', e ainda sim nao deu pra ver tudo nos minimos detalhes, como eu queria. Pretendo voltar la' semana que vem pela manha.
Na saida da exposicao, demos uma passada pelo famoso Checkpoint Charlie, o mais conhecido local de passagem entre os lados oriental e ocidental de Berlim na Guerra Fria. Um pouco decepcionante, eu confesso. O lugar e' so' uma casinha de madeira no meio de uma atual avenida com uma bandeirinha atras. Enfim...isso foi Checkpoint Charlie.

Mais tarde demos um passeio pra tomar um sorvete. O legal daqui e' que nao ha' quadras monotonas mesmo numa simples saida. Em mais ou menos duas quadras tu ve um cara tocando violoncelo, outro mais alem tocando um violaozinho e cantanto desafinadamente enquanto ta vestido de mulher no meio de uma roda de amigos, outro ainda esta fazendo bolhas de sabao gigantes no meio de um parque com algo que me parecia uma vara de pescar...fascinante. Tomei um dos melhores sorvetes que eu ja' provei na vida, Erdbeer Mintz. Como o nome sugere, o gosto era uma mistura genuina de morango com menta. Muito bom. Voltamos pra casa, e neste exato momento, enquanto escrevo, Diego dorme roncando sonoramente. E por hoje e' so'.

trajeto Frankfurt - Berlim = morte

8 de julho

E' impressionante como eu realmente NAO dou sorte em questoes de transito.
O trajeto Frankfurt - Berlim por si so ja' e' suficientemente demorado pra eu nao gostar (5 horas de carro) considerando que eu nao consigo ficar 2 horas sem ir ao banheiro, agora tu imagina quando, pra minha sorte, acontece um acidente com um caminhao que bloqueia a estrada principal e gera mais de 18 km de congestionamento enquanto eu to num carro com meu irmao e mais dois alemaes que eu nao conheco. Sensacional.
A viagem de 5 horas durou 7 , o ar condicionado estava estragado num calor infernal de, sem exagero, uns 38 graus e, pra encerrar com chave de ouro, meu nariz achou apropriado comecar a sangrar. Claro que eu nao tinha lencos, e por isso usei minha camisola, que era a coisa mais a mao, pra interromper a verdadeira hemorragia nasal que me assolava. Excelente.

Depois de todo esse sofrimento, chegamos na casa do meu irmao. Lugar legal. Ele mora com mais tres gurias atualmente. Duas alemas (uma delas eu nao conheci porque ta viajando) e uma francesa (que nem meu irmao conhece porque ela acabou de se mudar).
Depois de tomar o que me pareceu um dos melhores banhos da minha vida, fomos ao super-mercado comprar algumas provisoes pra janta. Enquanto a gente comia, chegaram ex-moradores da casa: dois alemaes bem engracados, por sinal.
Saimos pra dar uma volta. Tomamos cerveja e caminhamos pela noite Berlinacea (um zoologico de pessoas, diga-se de passagem). Voltamos pra casa, confesso que estava um tanto quanto MORTA. Dormi como se tivesse realmente morrido.